quinta-feira, janeiro 14, 2010

Um pouco do Haiti...

O território ocidental da Ilha de São Domingos, que passou ao domínio francês em 1697, por cessão da Espanha, se transformou em imenso canavial, com a importação de escravos. Durante o século 18, o Haiti (que significa, na língua nativa, terra montanhosa) viu extinta a sua população indígena. Em 1781, dos 556 mil habitantes, 500 mil eram negros, e o resto se formava de mulatos e brancos europeus. A terra, ocupada pela cana e culturas menos importantes, foi arrasada pela exploração colonial, predatória. No início de 1790, animado com a Revolução Francesa, o negro Vincent Ogé chefiou uma insurreição contra os franceses, mas foi capturado, torturado e executado. Toussaint-Louverture retomou o movimento no fim da década, e depois de muita luta venceu as tropas napoleônicas, em 1802. Os franceses, no entanto, traíram o compromisso e o aprisionaram. Louverture morreu em Paris. Finalmente, em 1804, os haitianos obtiveram sua independência, embora só de fachada. Foi o segundo país da América a se tornar formalmente autônomo: o primeiro foram os Estados Unidos.

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"Somos sem sorte, é verdade. Somos miseráveis, é verdade. Você sabe por quê, irmão? Por causa de nossa ignorância. Mas ainda não conhecemos a força que somos. Algum dia, nós nos levantaremos de um lado a outro do país e convocaremos uma assembleia geral dos governadores do orvalho, sairemos todos da pobreza e plantaremos uma nova vida", disse Roumain, em seu grande livro, em julho de 1944 – um mês antes de morrer, aos 37 anos.

Uma vida nova, que Depestre, em seu forte poema, quer libertada do colonialismo: "Ao diabo, seus pratos insípidos; ao diabo, o vinho branco; ao diabo, a maçã e a pera; ao diabo, todas suas mentiras".

o resto aqui - do Mauro Santayana